quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Tic tac...


Viver esse momento
Parar de fugir à realidade
Deixar de remoer o que já passou
Se concentrar no hoje
No que se tem em mãos...
O amanhã não chegou
E pra muitos não chegará
O coração está batendo agora
É hoje que você está vivendo...
24 horas prováveis
Segundos de certeza
Não se pode prever como serão as próximas horas
Comemoração, velório, sono, descanso
Não se sabe, impossível saber
Planos são desnecessários
a maioria deles não vai se concretizar
pois a dinâmica da vida te leva a lugares
aos quais você nem imaginava chegar...

Um minuto
e pessoas que nem sabiam da existência uma da outra
se envolvem em um acidente de trânsito
Um segundo
e você perde seus pais para a doença
Um instante
e você fica desempregado
Um momento
e o amor da sua vida vai embora...

Um dia...
que se você tiver sorte
vai virar passado
Transforme o seu dia
em ações de graças....
Agradeça a oportunidade
Aproveite a possibilidade
Escolha a alegria
Decida pela felicidade
Agora, hoje, todo dia!
Porque não aproveitar o agora
é viver isolado no tempo
Nem no passado, nem no futuro
É viver atormentado com o que não está vivendo!

sábado, 6 de novembro de 2010

Amor fast food


Doce novembro
Amo, ás vezes sou amada
Me encanto,
Alma extasiada
de sonho...

Mas você vai embora
Embora, esteja a meu lado
vai pra longe, distancia-se
Corpo presente
Vontade ausente
Indisponível para sentir

Paralisia.
O medo paralisa,
Auto-bloqueio. Não pode seguir.
Ficar na caverna é mais seguro e úmido,
Para que sair?
Ou
Ausência de paixão
Não tem vontade
Desejo, disposição
Falta encantamento
Batida acelerada do coração...

Falta emoção
Que tire o ser da caverna
Tire o seu ar, o seu chão...
Não poder mais viver sem ela
sem aquela pele, aqueles olhos
aquela boca, aquelas mãos...

Doce novembro
Inexplicável vida
Paradoxo constante:
Querer X Indisponibilidade
Você quer em um momento
Mas desiste num instante.
Desiste do que quer
Vai procurar um fast food
Assim não precisa fazer compras
para cozinhar e depois ainda ter de lavar a louça.
Praticidade.
Amor fast food.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

O Blog da família no Colégio Madre Teresa.


Sou professora do Colégio Madre Teresa e leciono para o Ensino Fundamental II desde o início deste ano letivo. Estamos vivenciando uma experiência única de leitura. Um momento em que TODOS os alunos estão despertando o gosto pelos livros, o prazer pela leitura, a fome de ler.

Uma vez por semana, todas as turmas vão à sala de leitura. Um lugar super agradável, com puffs, tapete, almofadas, tudo colorido e limpo, preparado para receber de forma agradável os novos leitores. Nesse momento, é feita uma leitura coletiva, onde cada aluno lê uma página do livro em voz alta, e assim, podemos compartilhar riso, suspense, alegria, tristeza, medo, felicidade, pesar.
Vivenciamos todas as emoções através dos livros.

Cada turma já leu 5 livros neste ano. O 7º ano está finalizando a leitura do livro "O blog da família" de Giselda Laporta Nicolelis que reproduz o blog do "Pirata", o personagem principal, que conta sobre como sua família é diferente das outras tradicionais e, principalmente, trata de diversos assuntos interessantíssimos para todos: drogas, álcool x trânsito, doenças sexualmente transmissíveis, etc.
Vale a pena ler!

Cada aluno do 7º ano criou o próprio blog, onde publica suas experiências de leitura e matérias diversas. Veja alguns trechos das postagens:

No colégio Madre Teresa, nós do 7º ano estamos lendo o livro "Blog da Família" é um livro muito interessante que trata de assuntos diversos, o Pirata é quem escreve os assuntos sobre sua família que é bastante animada.O nome do livro já fala tudo, é um blog e o nome Pirata na verdade e um nickname(nome inventado para colocar no computador). Nesse blog o Pirata já falou sobre muitos assuntos como por exemplos : Drogas, Sexo, Doenças, entre outros. O blog na verdade e como se fosse um diário virtual, o Pirata escreve um tema a cada dia e pede para as pessoas que leram deixarem um comentário sobre esse tema que ele escreveu, como por exemplo uma pessoa faz um comentario e ele deixa a resposta do que achou do comentario desta pessoa.

Bruno C. Vaz

Ola!Hj vou escrever primeiramente sobre o blog da família ele foi escrito por Giselda Laporta Nicolelis uma otima escritora que conta a historia de um menino que cria um blog e seu nickname:pirata ele coloca apelido em tudo ele e meio tímido e a irmão mais velho ele tem mais 5 irmãos.
Na sua casa mora oito pessoas gata manhosa(irmã Materna) gata tinhosa(irmã ) Digo-Digo(irmão gemeos ) Urso(Irmão Materno) Nenem(irmão materna ) Mãe de todos(mãe) Pai de todos(Padastro)Seus pais são separados.
Não vou falar mais sobre o livro se não vai ficar chato agora so lendo para descubrir.
Espero que tenha uma otima leitura.
BJS ATE A PROXIMA PUBLICAÇãO!

Letícia Santana,

Olá galerinha!Fiz este Blog para falar de vários assuntos e inclusive sobre um trabalho de um livro chamado ''Blog da familia'' terei que postar sobre ele durante uma semana e o recomendo pra todos.
O livro fala de um garoto que mora com muitas pessoas,tem uma família muito agitada e louca que mora em uma caverna,e ele resolveu montar um blog pra retratar sobre o seu dia-dia,utiliza o nickname de Pirata e é o mais velho dos irmãos, divide seu quarto com um dos irmãos que só dorme, enfim ele tem uma vida muito louca.Na sua casa vivem mais ou menos 11 pessoas contando com as empregadas e isso sem contar com os animais.
Esse blog não falará somente desse livro,irá falar também sobre vários assuntos interessantes.Espero que gostem e comentem!!!

Vitória Fernandez

O blog da familía é um livro escrito por Giselda da Laporta Nicolelis, em que, o personagem principal, Pirata, escreve em um blog a vida diferente e agitada de sua familia.Ele mora numa casa com 8 pessoas.O mais legal desse livro é que, nesse blog ele escreve diversos assuntos importantes e interessantes , até mesmo pra nós jovens . Apesar de ser muito jovem, Pirata é um garoto que nasceu numa biblioteca por isso ama ler.E no final ele descobre que a beleza física nao é tudo na vida e sim a beleza interior.
Beijos e tomara que vocês gostem do livro.
Nathane Sarkis

Nos do colégio Madre Teresa estamos lendo o livro blog da família e um livro interessante porque ele fala sobre uma família bem animada que têm muitas pessoas, muitos meios irmãos, meias irmãs, padrastos que no livro eles chamam de pai de todos ou de bodrastro. O livro e interessante porque como o próprio titulo diz o livro e um blog que de lá o autor que usa um Nick(Nick porque o livro e um blog) de Pirata.O livro entra em vários assuntos que são de estremo interesse para os jovens como os padrastos e os meios irmãos, irmãs e etc. No blog ele fala como e o dia a dia de sua família como por exemplo a irmã dele que quer levar o namorado dela pra dormir na casa dela e o “pai de todos” não deixa. Também fala sobre o irmão que se o “pai de todos” deixa-se ele levava todos os animais que estão na rua para sua casa. Ele fala sobre assuntos de historia como a historia da Anne Frank, e aquela garota de treze anos que estava escondida num sótão de um prédio com mais 4 pessoas por 25 meses no meio da 2º guerra mundial e a cada dia que ela ficava lá ela escrevia em um diário oque estava acontecendo com ela e com as pessoas que estavam com ela.
Então de hoje em diante eu vou falar aqui nesse blog oque acontece nesse livro muito interessante e vou falar sobre os assuntos que á nesse livro.

Ronildo C. Feitoza

O Livro Blog da Familia, é como se fosse um blog de um menino de code nome pirata, que resolveu colocar no ar um blog sobre a familia. Essa família é meio loca porque vem filho de um canto, outro de outro. Na casa onde ele mora que é chamada de caverna, tem uma "big" familia. Bom o personagem principal é o Pirata, a mãe do Pirata se chama "Boadrasta", o pai "Bodrasto", a irmã "Gata Manhosa", a irmã "Gata Tinhosa", o irmão "urso", os irmãos "digo-digo",e a BEBÊ.

Esse livro conta sobre o dia-dia do Pirata e suas "aventuras". O livro também abre espaço para falar sobre escolhas profissionais, temas de atualidade, de preconceito, primeiro amor e um espaço para aqueles que querem deixar um comentário ou conversar com ele numa troca de ideias, etc.

O livro, também, fala um pouco de historia. Com isso podemos aprofundar em assuntos que serão debatidos no futuro. E mais ainda, fala como ser em nossas vidas e em algumas parte nos dá uma lição de moral e ética.
Matheus C. Feitoza


É claro que gostaria de colocar as postagens de todos. Mas, como não é possível, se deliciem com esses exemplares que incluí. Todos feitos com muito carinho para agradar a todos os leitores e bloggeiros!

Aproveito para agradecer ao 7º ano pelo empenho, carinho e dedicação!

Viva a leitura!!!



segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Comida Brasiliense


Há muito tempo não venho aqui... Mas, hoje fui tomada de uma fome visceral, daquelas de se contorcer toda, sentindo a barriga contra as costas. Uma fome diferente. Meu alimento é o vômito. Eu vomito letras e como palavras. Vivo de uma dieta humana. Um pouco de esperança no prato, para não engordar. Muita água, cheiros - alguns verdes outros não -, carne mal passada, com sangue escorrendo, que é pra lembrar da morte diária. Não se pode esquecer de beber as notícias, que descem queimando a garganta e esquentam o dia. Pimenta. Sem degustação, apenas sente-se o ardor.

A informação chega cedinho, junto com o pão. Requeijão. Dá para sentir sua temperatura. Saiu de todos os cantos do mundo para minha mesa. Quentinha, quentinha. Oração de agradecimento, pelo pão e pelos acontecimentos, afinal, nada acontece por obra do acaso. Determinismo. Precisamos dele para acordar todos os dias. Dar uma explicação sobre a vida. Uma mentirinha para salpicar na comida e melhorar o sabor. Orégano para alegrar. Poesia.

Já no trabalho, é só esperar a hora do almoço chegar. Hum... imagino o cardápio do dia: sushi, tarefas a cumprir, feijoada, temperamento forte, vinho, dormência física, Sonho, dor no estômago, sashimi, noite sem dormir. Tudo no prato. Quero tudo de uma vez só. Quero agora. Quero comer tudo porque estou muito cheia da esperança, que deixa vazia a minha barriga.

Espero o dia passar, trabalho de forma mais lenta. Preciso cuidar melhor da minha alimentação. Acho que o almoço pesou um pouco e meu abdômen está um pouco dolorido. Penso que quando chegar em casa vou tomar apenas um chá com as bolachas do dia pra me livrar de pesadelos. Mas prometo que na segunda-feira voltarei à academia, regularei a minha dieta e me sentirei mais leve.

Agora que já comi, e satisfiz minha vontade de palavras, sei que posso dormir tranquila. Estou certa de que alimentei a minha alma.

Boa noite!

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Quero ser criança!


Quero ser criança
para com o vento cantarolar
Escalar árvores
Subir nas janelas
De terra me sujar

Quero ser criança
para despertar a ternura nas pessoas
Com meu vocabulário incompleto fazer rir
Com meu sorriso contagiar
Desengonçadamente cair
Sorrir, chorar!

Quero ser criança
Tomar banho de chuva
Encher a todos de perguntas
Não se importar com conduta
nem com status, nem com censura...

Quero ser criança
Pra ser feliz com um pirulito
Pra dormir no chão do paraíso
E acordar vendo o infinito
Cumprindo seu destino...

Quero ser criança
Quero criação
Quero movimento
Quero sonho
Quero diversão
Quero encanto
Quero imaginação!!!

domingo, 3 de outubro de 2010

Solidão. Qual a sua escolha?


A solidão vem pra todos
O ser humano é um ser único
Possui uma caminhada individual
Precisa do silêncio para se descobrir
Entrar em contato com sua singularidade
Defender seu ideal, evoluir...

Quando se está só
Pode-se perceber a diferença
incrível experiência
entender quando se está solitário
ou quando se está sozinho...

O sozinho enxerga as cores da vida
Está tão cheio de amor
a ponto de suportar sua própria companhia...
Toca o chão, toca a si mesmo,
Sorri das belas flores
canta com os passarinhos
vive um por um, seus amores
reinventa seus destinos...

Ah... o solitário
Sorriso triste
Coração calado
Do olhar, brilho apagado
No meio do caminho parado
Vendo a vida seguir.
Tem medo do futuro
Lamenta o que não está vivendo
Pulmão desejando ar puro
Até os cisnes viraram tormento....
O celular que não toca
a ausência de convites para sair
Não tem reclamação por sua presença
Nem quem segure se ele cair...
Quem sua alma queria, resolveu partir
E enquanto chora sua mágoa
Procura outra pessoa para suprir
o vazio que sua esperança ataca
a carência que o vem consumir...

O sozinho escolhe
percorrer a sós um trecho da estrada
segue plantando as lições que lhe surpreendem
vive da experiência que colhe...
Resignado em seu caminhar
Decide se pautar pelo que aprende
Decide sorrir quando algo o põe a chorar...
E no trajeto compreende
que só a ação é capaz de mudar o sentimento
Não dá lugar ao lamento
e mantém em sua boca
palavras de agradecimento...

O sozinho como humano
não é forte nem soberano
é claro que o choro e o lamento
visitam seu cotidiano
Ora se sentem felizes com o vento
Ora sentem pela vida desencanto...
Mas no peito mora a certeza
de que nada dissolverá a força
viva do seu pensamento,
No coração pulsa essa certeza
de que nada vai tirar o seu prazer de viver
e a beleza do seu canto.

Escolha.






terça-feira, 28 de setembro de 2010

Chuva


Sem pressa...
Peço para os meus lábios molhar,
estão secos.
O clima, minha respiração vem dificultar
o que explica o desejar
das pequenas partículas de salvação:
água.
Traga-me o cheiro da terra molhada
Apague as queimadas
Encha denovo os rios
Movimente o que parado está...
Inunda meu corpo
Passeia em meu colo
Desliza em minha pele
Refresca minha língua
Sem pressa...
Encha suas nuvens
Até derramar
Goteja sua vida
Chove em mim!

domingo, 26 de setembro de 2010

Maria no Clube do Choro (Parte II)


"Choro é cura! Eu experimentei"! afirmou Mario Séve numa emocionante apresentação no Clube do Choro de Brasília, no último dia 23. Mário Séve e David Ganc apresentaram uma seleção de incríveis músicas do Pixinguinha. Maria assistiu. Mais que isso, fez-se presente, num encontro leve e profundo com as mais belas melodias.


Chegou atrasada ao local, bilheteria fechada. Assustou-se. Não podia ir embora. Não iria mesmo. Havia um ingresso branco que a aguardava. Alegrou-se. Naquele momento, não mais havia reserva, poderia sentar em qualquer cadeira vazia. Apressou-se. Os músicos já estavam sendo apresentados quando, enfim, escolheu onde sentaria. Vizualisou uma mesa vazia. Vibrou por dentro. Seria inédito sentar numa mesa e assistir ao show sozinha. Nas outras vezes, Maria sentou-se ao lado de pessoas desconhecidas e se relacionou bem. Agora, de desconhecido só tinha a si mesma. Como iria se tratar? O show começou com a alegria melódica do Pixinguinha, alegria esta que se contrapôs ao substantivo choro, desenhando, assim, uma interessante metáfora. Contradição.


Seus olhos se fecharam com um som de flauta, num devaneio lento e quente. Aquele som impactava suas células. Pôde sentir a música e sua vibração-arte. Seus poros se abriam como que se alimentando. Estava Consumado.


Maria fez música. Uma leitora que escrevia o texto junto com o autor. Um instrumento com suas infinitas possibilidades de sons e melodias sendo tocado. Uma folha reciclada sendo grafada com cores, partituras, melodias impressas em letras douradas. Não mais expectadora, fez-se parte integrante daquela música. Sorriso. Aplausos. Lágrimas. Encantamento. Vibração sonora. Dança mental.


Ora dialogava com o palco, ora com suas próprias impressões. Os comentários que outrora fazia com seus companheiros de mesa, agora tomavam forma de susurros, palmas e gritinhos de vibração. Sentiu-se feliz ao perceber o clarão em seu rosto.


Um balde com cervejas geladíssimas e, para comer, pães de queijo suiço eram as suas companhias na mesa. As cadeiras a seu lado estavam vazias, mas não se sentiu solitária. Seu coração estava cheio, sua alma estava iluminada. Sentia-se em paz. Achava engraçado o jeito que as pessoas a observavam. Indagavam, curiosas, a presença daquela mulher loura, de vestido vermelho e expressão feliz. O que ela faz sozinha? Espera alguém? Quer encontrar alguém? Certamente, cada um tinha a resposta adequada ao seu ponto de vista.


Entretanto, talvez eles nunca saberão de sua história. Nunca terão as respostas reais. Naturalmente. Não há respostas para todas as perguntas. Mistério sempre haverá. Maria achou graça. Gargalhava com a vida. Achou a graça. A graça da vida. Talvez tenha experimentado a cura inicialmente referida pelo músico. Pelo menos, era como se sentia. Liberta. Inteira. Curada.


terça-feira, 14 de setembro de 2010

Carta à Maria Eduarda


Madú, amor da minha vida, obrigada por tudo o que você fez por mim!





Hoje a Maria Eduarda completa 1 ano de existência em minha vida. Por esse motivo, decidi homenageá-la publicando essa carta que escrevi na ocasião de sua partida para o novo mundo. 1 ano de dor, saudade, vazio, silêncio, paz, certeza de um reencontro!

Filha, te amo!

Sinta o meu amor no seu coração!

Fique em paz!


Brasília, 14 de setembro de 2009.


Madú,


Nem nos meus mais lindos sonhos achei que fosse possível sentir uma felicidade tão grande quanto a que passei a sentir com a sua existência em mim. 22 de janeiro de 2009, eu e seu pai ficamos sabendo que você já estava crescendo, linda e forte no meu ventre. Alegria, susto, felicidade, êxtase foram alguns dos vários sentimentos que sua chegada me proporcionou.
já não seríamos mais Cristiane e César, e sim, Mamãe e Papai. Já não seríamos dois, e sim, três. Uma família. Junto com você estava sendo gerada uma nova família, a família Lima de Oliveira.

A descoberta do seu sexo foi outra aventura pela qual passamos: seu pai que sempre quis uma menina, para contrariar, passou a falar que queria um menino, o que me confundiu um pouco, mas, no fundo, eu sabia que você era a tão sonhada Maria Eduarda.
Sim, filha, seu nome já estava escolhido por seu pai a mais de dez anos. Quando eu o conheci você já era um sonho dele e, com o amor, passou a ser o meu também.
Com quatro meses de gravidez veio a confirmação de que você era realmente uma menina. Uau! Mamãe ficou enlouquecida de felicidade e o papai ficou bobo, todo satisfeito! Só não ficou muito satisfeito por perder todas as apostas feitas com os amigos, inclusive comigo. Imagina, filha, só pra mim ele teve de pagar um mês de sushi. Mas tudo era brincadeira, diversão e pretexto para falar de você.
Logo em seguida, vieram as primeiras danças, sim amor, você dançava na barriga da mamãe de um jeito tão gostoso que eu parava qualquer coisa que eu estivesse fazendo para prestar atenção em você. E, eu tinha certeza que o que você dançava era, no mínimo, um forró! Oh, como se mexia!
Você tinha de ver a cara do seu papai quando ele viu sua dança pela primeira vez! Sabe aquela cara de abobalhado misturada com expressão de criança que acabou de ganhar a balinha que tanto queria? Pois é! Era a cara do seu pai impressionado com os seus movimentos. Bastava ele colocar a mão para você mexer no mesmo instante. Eu ficava até com ciúmes, mas era um ciuminho bom...

Filha, você estava crescendo tão rápido que decidimos arrumar seu enxoval. Compramos uma casa linda para você morar, montamos um quarto de boneca de pano, todo em branco e lilás, ficou lindo, perfeito!

Esperar você, sentir você crescendo, fazer suas ecografias, escutar (pela primeira vez) seu coração bater, planejar seu quarto, comprar suas bonecas, foram alguns dos momentos mais maravilhosos da minha vida!

Você me transformou em uma mulher completa, você me mostrou um novo jeito de olhar para o mundo, para a vida! Por isso, acredito que sua missão foi cumprida com louvor. Você foi designada para gerar e fazer nascer uma nova Cristiane e um novo César, mais humanos, mais determinados. Você nos fez nascer denovo. Foi você quem me devolveu a vida. Foi você quem me mostrou o melhor jeito de viver a vida!
O meu amor por você mudou a minha vida e até a minha relação com as pessoas. Com as próximas e com as distantes. As posições foram deslocadas: as pessoas que estavam distantes ficaram próximas e as próximas um pouco mais distantes.

Mas o que importa mesmo é que você saiba o quanto mamãe e papai foram felizes em todo esse tempo que você esteve sendo gerada. Rimos, ficamos encantados, abobalhados, algumas vezes assustados e muitas vezes embevecidos de prazer e alegria.
Eu te agradeço por tudo o que você me deu. Todas as emoções, todas as alegrias, todas as descobertas, todo aprendizado, toda felicidade...

Minha filha, eu te agradeço por esse amor que nós três construímos, você sempre fez parte da minha vida e sempre será lembrada como a primogênita, a filha mais velha que está morando, a partir de agora, num outro país. O país dos anjos, dos espíritos iluminados, o país do amor.

Sei que apesar da distância nosso amor e nosso pensamento estarão eternamente ligados!

Te amo Maria Eduarda Lima de Oliveira!

Ass: Cristiane, sua mamãe.



quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Essência


Essencialmente me perdi
perdi o melhor dos meus sonhos
perdi o emprego que a mim parecia o melhor
o melhor dos meus versos
perdi o traçado daquele fabuloso plano
e a sensação de segurança maior

Me perdi no verde olhar daquele encontro
e ao longo dos anos, no meu próprio labirinto,
me escondi do espelho,
fiz minha auto-imagem em preto e branco
mas meu coração, eu pintei de vermelho

Vermelho que ora dava lugar ao laranja
ora ao amarelo girassol
ora ao verde cura
num revezamento vivo
ora preto, ora colorido
sob a sombra, sob o sol

Perdi o choro da madrugada
a dor e a alegria de alimentar (-me)
o olhar que era pra mim
e a mãozinha que a minha ia segurar
a primeira palavra
e o momento de engatinhar
me perdi debaixo daquela terra.

Me perco todo dia
numa ânsia desesperada de me achar
quanto mais numerosas as tentativas
mais certeza de que o grão morre
pra só depois germinar

Quando acha que se perdeu tudo
e que não há mais nada para ser desfeito
fica a impressão de que o que sobrou
é puro, a colorida essência
o que realmente não pode se perder:
o aprendizado, alguma dor, sensibilidade
o amor, simplicidade, verdade-ser
Todas as cores do arco-íris
o vermelho da vontade de viver!!!








quinta-feira, 2 de setembro de 2010

O s l^n c o d s p l v r s .


A ausência da palavra é a morte
ausência do som, da textura, do significado
Um silêncio fúnebre num espaço nublado
a doce, fria e desesperadora calma...
A calma de não se ter o barulho significante
de não se ver o pulo das letras querendo significar
A calmaria do vazio atordoante
de não precisar das vírgulas para organizar...
Buraco negro... vazio de cores
de imaginação, de beleza, de sonho
cheio de poeira densa
de infinito ar
vazio de substância rica
substantivos não há
vazio de ação plena
verbos sem conjugar
Em tempo, algo parece querer gritar
E o clima de silêncio transformar...
É o vento que sussurra forte
para o silêncio tentar abafar
emite um som em forma de uivo
faz um esforço para silabar
A ventania com seu movimento
de levar e trazer coisas
que pra longe levou minhas palavras
agora tenta delas se reapropriar...
Os mais vivos e variados sons
assopro, suspiro, sussurro
inspiração, expiração
batimentos cardíacos,
avisam que se instalou o desejo de soletrar...

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

A entrega dos sentidos...


Mãos para tocar
Pés para andar
Olhos para observar
Boca para beijar
Coração para amargurar
a textura do que não foi sentido,
o chão que não foi pisado,
o pôr-do-sol que não foi visto,
o sabor que não foi degustado,
o momento que não foi vivido...
Mãos para acariciar
Pés para caminhar
Olhos para admirar
Boca para desejar
Coração para amar...
E com os ouvidos?
Com o ouvido apreciar
o som da música no ar
Ver cada poro meu dançar
Minha alma cantar...
De mim sair
Outros toques sentir
Por novos caminhos viajar
Em outras direções seguir
Mais alegremente sorrir
Com a vida me encantar
me apaixonar
me traduzir
me deslumbrar
me seduzir
E na entrega
descobrir
que amei
que vivi!

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Solilóquio...


Sol...
Solto...
Solidário....
Solícito...
Solstício,
Solda os pedaços...
Solta da prisão...
Solve a escuridão...
Soluciona a sombra...
Aquece e inflama
o ser
que se derrama
de tanto querer-te
Chama....
de tanto querer-te
Amor...




segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Querer...


Querer significa falta
falta não significa querer...
O querer só se materializa na ação
e agir é arriscar-se.
O homem se protege do risco...
Por quê?
Por que já se acostumou com a falta?
Por que tem uma vontade rasa?
Não se tem resposta,
são poucas as perguntas que as tem.
Pessoas em seus variados ciclos existênciais
Cada um vive o seu momento particular
Quando um quer, o outro ignora
Quando o outro se encanta, o um se apavora...
Roda gigante, cada um numa ponta
Desencontros nos possíveis encontros
Namoros ficcionais
Casamento atrofiando a relação
no pleno laboratório da convivência...
O encontro impossibilitando o encontrar!
Isso só é possível porque é vida
Vida viva, dinâmica, transformadora
Vida gerando vida...
pela dor, pelo choro, pela crise
crise do ser, do ter, do conviver
Crise do não saber, do conhecer, da clareza
Crise de não querer o querer...

domingo, 22 de agosto de 2010

A vida em trânsito...


Trânsito brasiliense
lento, solitário, parado, impessoal
luzes no retrovisor
muitos farois
os carros passam na faixa lateral
só o meu carro está parado...
Ando um pouco
Não demora para o freio de mão
ser mais uma vez acionado
Alguns carros querem passar para a direita
Outros seguem pela esquerda
Alguém tem de freiar
abrir passagem
Exercer gentileza...
Uma pessoa em cada veículo
Nada de caronas
Cada um com seu som
Cada um com a sua vida
Seguindo um caminho individual
Ora pegando um atalho
Ora buscando uma trilha tradicional...
No engarrafamento
Um motorista prefere o ponto morto
Outro, com sangue quente,
pisa resignado no freio e na embreagem, tem pressa.
Escolhas...
Mal sabe que vida é sinônimo vivo de transformação
O trânsito lento vai voltar a fluir
O solitário motorista vai chegar a seu destino
Esperar pelo novo dia
e pelo próximo engarrafar
pelas horas perdidas
em seu caminhar
No passar dos dias perceberá
que ação gera sentimento
e que num momento o sol nasce
mas depois nasce o luar
Que, por sua vez, ao amanhecer
devolve ao sol o seu lugar...
O trânsito agora lento
começará a descongestionar
Em questão de tempo
Já poderás partir
pra família voltar
Cantar alto, sorrir
descansar, se alimentar
Dormir agarrado no sonho
Pra com ele despertar
E denovo decidir
que vai ser feliz
mesmo quando um engarrafamento surgir
mesmo que a dificuldade insistir
em chegar, em ficar...
Trânsito.


sábado, 21 de agosto de 2010

Maria se encontra no Clube do Choro de Brasília...


Maria acordou com um novo desejo. Gostou tanto da novidade que é sair só que resolveu mais uma vez se aventurar. Dessa vez escolheu o Clube do Choro de Brasília. Pensou em uma rápida definição: seria um lugar onde as pessoas se reúnem para chorar? Será? O por quê desse nome? Não poderia ser clube da música? Do violão? Da batucada? Ah... não! Não poderia obter essa resposta, a menos que fosse conferir com os próprios olhos. O coração chegou primeiro. Acelerado. Batendo forte. Estacionou o carro e foi até a bilheteria. Fila. Via muitas pessoas acompanhadas, e, sorriu de satisfação. Estava fazendo diferente. Sabia que precisava mesmo romper com as velhas companhias solitárias. Ela queria o mundo. Com todas as suas saborosas cores, com todos os sons, os perfumes e os bichos. Precisava estar só consigo. Inclusive com os próprios bichos. O ingresso indicava a mesa de número 45. Chegou sucumbindo em timidez, para tomar posse de uma das quatro cadeiras disponíveis. Isso mesmo. Sentaria ao lado de três pessoas desconhecidas. Com o ingresso e o coração na mão, mais uma vez, conferiu o número da mesa para não dar vexame. Quando olhou o lugar se surpreendeu: Se sentiu no Rio de Janeiro da década de 50. Estrutura circular, mesas rodeando o palco, garçons, pessoas de diversas faixas etárias. Meia luz. Palco vibrante. Cheiro de História. Depois de avistar a mesa, se aproximou, cumprimentou os colegas e sentou-se. Não pôde acreditar quando enfim se acomodara. Parecia ter passado uma eternidade até aquele momento. A casa estava cheia. A Spok Orquestra iria tocar. Até então, não sabia o que significava a palavra Spok. Um músico, uma banda, um instrumento? Digamos que ele era tudo isso. O Spok do frevo jazz. O Spok de Pernambuco. O Spok da alegria do frevo ou do frevo da alegria? Não importa. Simplesmente Spok. Um músico, um maestro, o comunicador de sentimentos.

Sim, meus caros leitores, Maria foi ao clube do choro para ouvir choro, e acabou ouvindo Frevo Jazz da mais alta qualidade. A cada música uma aula à parte. Aquele lugar estava cheio de Pernambucanos, com cara e clima de Rio de Janeiro, era o nosso Brasil. Maria e a música do nosso Pernambuco Brasileiro. Sorria, se emocionava, vibrava, batia palmas. Diálogo vibracional. Um surpresa no palco: Jorge Marino, a representação do frevo em Brasília, subiu naquele santuário musical para dançar frevo, com todas as cores do seu mini guarda-chuva. Jorrando energia. Caindo. Pulando. Vivendo. Bela homenagem. Ele é uma homenagem viva para a vida! 70 anos de homenagens dançadas, puladas, sorridas.

Intervalo. Fez-se um silêncio desejoso de ser quebrado pelo Sax Spokiano. As luzes voltaram a acender. O tempo parou. O palco renasceu. Burbúrios nas mesas. Maria queria para alí. Se fixar. Se concentrou numa tentativa de eternizar aquele momento: um, dois, três. Não adiantou, a vida continuou a girar. O relógio nunca pára. A vida não parou. A orquestra não queria parar de tocar. Spok tocou uma sequência que contagiou a platéia de tal forma que todos se levantaram e começaram a cantar e dançar. Marchinhas deliciosamente cantadas de forma uníssona. Hinos. De celebração fez-se o clima daquele lugar. Alguém comentou que fazia muito tempo que o clube do choro não sacudia daquela forma. Maria ouvindo, pensou: Estreia. Era a estreia dela naquele universo. Se sentiu presenteada. Inundada de sentimentos musicais. Chegou só, mas de volta pra casa, nunca sentiu sua alma tão bem acompanhada.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Quarta-feira de dor...


Fácil falar da dor...
Difícil é sentí-la...
Fácil falar que vai passar...
Difícil é esperar esse momento...
Fácil explicar que tudo é passageiro
como a chuva
como o frio
como o vento
como o tempo...
Difícil é viver desse modo tão atemporal
Difícil ser resistente a tanta mudança semestral,
mensal,
diária...
Um minuto
e o dia acabou,
Um minuto
e a oportunidade passou,
Um minuto
e o céu escureceu,
Um minuto
e o que era bom se perdeu...
Todos os dias
pra treinar o desapego
pra perder o medo
de perder...
Todos os dias
pra aprender a lição:
o que aconteceu ontem
está do outro lado da ponte
que já caiu...
Não se tem mais acesso
Querer voltar e refazer, impossível
Já está no tempo passado, inacessível
O que aconteceu ontem, imutável...
Não é fácil,
mas é preciso desse passado se desapegar
Dos fatos,
apenas absorver o impacto e logo o canalizar
Da desconstrução,
recolher os cacos
e quantas vezes for necessário
bater a poeira, olhar pra frente
pra um novo modo de viver, reiventar...
Choro, desespero
dor, tristeza
Fazem parte de um todo:
Vida.
Viver é correr o risco de sentir dor...

Dia nublado


Quando os questionamentos
invadem a cabeça
paira a dúvida:
que caminho é esse que estou percorrendo?
Quando a tristeza
invade o coração
vem a pergunta:
até quando continuarei sofrendo?
Perda, morte, embaraço
dor, agonia, cansaço
luta diária
contra uma dor que não passa.
Por que não passas dor?
dê uma trégua pra minha alma
deixe-me girar... preciso girar...
tire essas nuvens do meu céu
não quero sentir mais esse gosto de fel
não quero mais me entristecer e chorar...
Por favor,
dor...
Tire essas nuvens do meu céu...
Deixe o meu sol aparecer
Eu preciso me alimentar
me nutrir, me recuperar
pra amanhã me abrir
florescer
me alegrar...


segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Derramamento...


O derramar da vontade

em mim aconteceu

quando a minha boca te conheceu

e o meu corpo iniciou uma busca pelo teu...

O derramar da vontade

em mim se iniciou

quando a nossa pele se encontrou,

contrariando qualquer senso de realidade...

Quando eu te enxerguei

O derramar da vontade

quis me invadir

sem resistência eu fiquei

diante do nosso sorrir...

Quando eu dei por mim

somente ao som da sua voz eu queria dormir

sonhava que minha pele com a sua se encantava

e que em mim a necessidade morava

num pleno e intenso fluir...

Quando eu me apaixonei

pela nossa arte

estávamos eu e você escrevendo poesia

e descobri que de mim você era a parte

que outrora não tinha...

Mas o derramar do copo cessou

Agora o copo está apenas cheio

não derrama mais

Pra não esquecer a efemeridade

não derrama mais

Pra lembrar que tudo tem data de validade

não derrama mais

Pra mostrar que a troca mútua já foi realizada

não derrama mais

como uma constatação de que a missão desse amor já foi cumprida

logo veio a verdade

a vontade está viva, apenas não derrama mais...