domingo, 20 de novembro de 2011
Passione
Eu
me derramo
inteira
na imensidão
do seu abraço...
Eu
me espalho
faceira
na vastidão
do seu corpo
molhado...
Eu
me divido,
fico sem eira nem beira,
se não te sinto
a me lado...
Eu
dou um passo
em sua busca
quero encontrar a cura
pra esse mal
de não ser tua.
Eu
vestida dos seus olhos
tiro a roupa e me mostro
inteiramente sua
errante, nua, forte
vulnerável.
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Precisa-se de um amor
Precisa-se de um amor
Sol pro amanhecer
que visite meu sonho
no despertar e no anoitecer.
Precisa-se de um amor
feito de defeitos, paixão, ardor
Amor humano sem pudor
Que ofereça seu peito, seu cobertor
seu sexo, uma flor.
Precisa-se de um amor
uma noite mal dormida
um abraço na despedida
Enquanto nesse amor houver vida,
Paga-se bem.
domingo, 13 de novembro de 2011
Neblina azul
A madrugada se vestiu de neblina. A estrada, quase invisível, desfilava com um véu branco e frio abraçando os carros que passavam.
Eu, passageira. Passarinhando na sua vida. Quis bicar seus sabores e te descobrir. Você, o condutor. Me levou. Me elevou. No meio da mais densa neblina, tinha o nosso céu azul alaranjado. Sobrevoamos alto na nossa profundidade.
Dois pássaros que quiseram experimentar juntos um instante de céu colorido. Sem definição, sem roteiro, apenas vivenciando as sensações que um dava ao outro. O beijo nosso, o cheiro da pele, os passos da dança, tudo em nós conectado pela energia do verbo querer.
Desenhei letras perfumadas no seu corpo. Silabavam sussurros. Cantavam interjeições. Você, meu alfabeto de prazer, se dava a conhecer. E eu lia. Eu escrevia e lia. Depois, deitava na sua pele e escutava os sons produzidos pelas letras que eu pintava.
Murmúrios, suspiros, volúpia, vontade. No meio de todos aqueles rabiscos, sua boca era a minha necessidade. E você? Você me buscou. Você quis o gosto do meu desejo. E a gente se achou. Frases, orações, períodos inteiros construídos com a nossa dança.
O nosso texto se derramava vulcanizado pela flama do primeiro encontro.
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Decoração
De coração
Pele e sangue
Sou feito
De sonho e afeto
Refeito
Afeito ao ritmo
Pulso etéreo
O próximo segundo
Meu impulso eterno
De coração
Solidão e defeitos
Refiz o meu chão
Do desapego
Ao que é perfeito
Fiz minha decoração.
Homenagem ao grande poeta Haroldo Porto, em 31 de outubro de 2011.
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
...?...?...?...
A tela em branco
o cursor piscando
Eu me perguntando
Que dor é essa no meu peito?
Acho que é medo do escuro.
Brasília, madrugada confusa em meio a primavera hostil.
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Raios de chuva
Chuva vespertina
Desanuviou o céu
Perfumou o ar
Terra pronta pra criação...
Terra pronta pra criação...
Alegria repentina
Comida pra raiz
Água que matou a sede
Água que matou a sede
Aguou o chão...
Chuva cristalina
Pro solitário e infeliz
banhou a pele de quem só quis
se lavar da solidão...
Tristeza pediu a guilhotina
Vendo o sol suar em difusão
Coloriu-se de tons a tarde cinza
Vida em conexão...
Chuva cristalina
Pro solitário e infeliz
banhou a pele de quem só quis
se lavar da solidão...
Tristeza pediu a guilhotina
Vendo o sol suar em difusão
Coloriu-se de tons a tarde cinza
Vida em conexão...
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Meio-dia
Se tocam os ponteiros
Onde o sol pontua seu ápice de luminosidade
Na volúpia do tempo
Só me reconheço inteiro
Quando sou metade.
sábado, 10 de setembro de 2011
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Encerrando uma fase....
Última sessão da terapia.
Foram dois anos indo ao consultório todas as semanas.
Hoje recebi alta. Durante a sessão fizemos um apanhado do que foi melhorado e do que ainda precisa ser trabalhado. Foi interessante perceber o quanto melhorei e evoluí emocionalmente. E também, o quanto estou consciente de minhas atuais limitações. Ao aprender a me conhecer, a me dar prazer, a me divertir sozinha, a ser mais tolerante comigo mesma, a enfrentar o medo da vida, a conviver um pouco mais comigo mesma, sinto que encerrei uma fase na vida. Algumas dores não cicatrizaram ainda, outras já estão consolidadas. Muita coisa ainda vai acontecer. Ainda sentirei muita dor, ainda cairei muito no chão, enfrentarei muitos desafios, me apaixonarei muito, me desiludirei também. Vou viver minha vida sem me comparar com ninguém.Simplesmente, vou tirar a sandália, dar tempo ao tempo e seguir meu caminho ouvindo a voz da sabedoria e do meu coração.
Obrigada Deus! Obrigada Universo!
Estou orgulhosa de mim! hehehehe
Foram dois anos indo ao consultório todas as semanas.
Hoje recebi alta. Durante a sessão fizemos um apanhado do que foi melhorado e do que ainda precisa ser trabalhado. Foi interessante perceber o quanto melhorei e evoluí emocionalmente. E também, o quanto estou consciente de minhas atuais limitações. Ao aprender a me conhecer, a me dar prazer, a me divertir sozinha, a ser mais tolerante comigo mesma, a enfrentar o medo da vida, a conviver um pouco mais comigo mesma, sinto que encerrei uma fase na vida. Algumas dores não cicatrizaram ainda, outras já estão consolidadas. Muita coisa ainda vai acontecer. Ainda sentirei muita dor, ainda cairei muito no chão, enfrentarei muitos desafios, me apaixonarei muito, me desiludirei também. Vou viver minha vida sem me comparar com ninguém.Simplesmente, vou tirar a sandália, dar tempo ao tempo e seguir meu caminho ouvindo a voz da sabedoria e do meu coração.
Obrigada Deus! Obrigada Universo!
Estou orgulhosa de mim! hehehehe
terça-feira, 16 de agosto de 2011
Adora roda
Menina,
Vem pra roda
Aqui a vida melhora
E a dor se veste de alegria
Vem! Mas sem demora
Que o tempo já aflora
e a noite é fria...
Menina,
Vem pra roda
Aqui seu pesar vira poesia
E a tristeza não devora
Seu sorriso e fantasia
Olha pra frente!
Que a vida é o agora
E o samba anestesia...
Ora menina,
Te encontro na roda
Vambora! Sai da ilha
Acredita na sua história
Gira, dança, comemora
Que a vida é samba
Vem pra cá...
É aqui a roda que você adora!
Homenagem ao grupo Adoraroda, o melhor samba de Brasília!
TODA TERÇA-FEIRA NO CALAF!!!
VEM PRA RODA!!!
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Coisas sobre a vida.... como ela é!
Encontro e despedida...
Quantos ganhos e perdas diários?
Nada de acúmulos, a rotatividade vital é grande!
Entrada e saída...
Sorriso e lágrima.... ajuste e desequilíbrio... cicatriz e ferida...
O dual convivendo junto na complexidade dos dias
Chegada e partida de pessoas queridas...
Possíveis amores que se conhecem em momentos tão diferentes
e acabam por se despedir sem se encontrar...
Sementes que não encontram espaço para germinar!
Enquanto isso...
A poesia vai abrindo passagem no meio do lixo humano... e urbano.
O belo, a esperança, o amor e a fé vêm junto com o sol nascente
Fazer barulho pra me despertar
Ouço o chamado com a chama ardente
de quem sente que foi chamada pra semear
Sonhos, poesia, conhecimento, alegria:
A escola é o meu lugar,
Espaço onde sou antena e radar.
O dia de hoje está chegando ao fim,
Estou cansada.
Vou ler o livro que acabei de comprar,
Lavar a alma da sujeira do corpo,
e tentar me desligar.
sexta-feira, 29 de julho de 2011
Futuros amantes

Futuros amantes
Olhos cegos do olhar
cheiro da pele desconhecido
gosto da boca fora do paladar
ignorantes do desejo
nada sabem sobre sua química
Não tiveram seus destinos cruzados
na padaria, no mercado
na fila do banco ou na esquina.
Ainda nem nasceram.
mas, o parto está marcado:
na roda de samba,
os futuros amantes
vão se tocar!
Na batida da percussão
o coração vai sambar,
E o futuro?
Ah... o futuro deixará pros amantes
o presente:
coração quente,
corpo em erupção,
taça de vinho,
o arrepio na pele,
o tesão,
o encanto do beijo,
a sofreguidão delirante,
o orgasmo inebriante
e a certeza
de que o presente termina hoje.
Amanhã, o futuro nos espera!
Futuros amantes - Chico Buarque
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Beijo... Flor!
Descobri! é culpa do beija-flor.
Levou pra você minhas palavras,
mas, deixou a esperança, a magia
e uma flor...
beijada.
Tempos modernos
O fim do fim de semana
salvou José pelo serviço
devolveu seu crachá
sua função no mundo sagrado
Enfim, seu compromisso...
Agora, denovo encarregado
Pode se ocupar com a lida
manter o seu horário.
Porque... gastar tempo com a vida?
Nossa... dá muito trabalho!
domingo, 17 de julho de 2011
Desejo de Mulher
Preciso de um homem
que tenha defeito
e se permita viver
sem ter de ser perfeito.
Sem precisar pedir desculpas por SER...
Preciso de um homem
que transgrida minha lei,
me tire do comando
e me mostre o que ainda não sei.
Sem precisar ser autoritário...
Preciso de um homem
que por ser quem é
suspenda a minha respiração
e coloque em xeque minhas certezas.
Sem precisar tirar o meu chão...
Preciso de um homem
sensível e selvagem
gentil e decidido
que faça amor e sacanagem.
Sem precisar de libertinagem.
Preciso de um homem
que movimente a relação,
que tenha vontade própria
e me diga não!
Sem precisar desconsiderar minha opinião.
Preciso de um homem humano
com seu conflito, sua alegria, seu tesão
Que vai me encantar em seu descaminho
e me encaminhar em sua direção.
Sem que precise me perder na razão.
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Poema sem poesia
Minha maior tristeza
não é a saudade da minha filha
nem a certeza
de que tudo é passageiro...
Minha maior tristeza
não é o salário
desvalorizado
em meio as dívidas...
Minha maior tristeza
não é esse amor que nunca cicatriza
e sangra e sofre
e agoniza...
Minha maior tristeza
não é o meu aluno
violentado, negligenciado
maltratado, órfão de pais vivos...
Minha maior tristeza
é agora
quando as palavras fogem do papel em branco
eu escrevo, e apago.
Penso em um assunto, e ele se mostra outro...
Minha maior tristeza é a falta de inspiração.
É o momento em que não sou salva
da saudade
da dívida
do amor platônico
da comiseração humana.
Sem a poesia,
tenho que viver na minha casa
vestir as minhas roupas
atender pelo nome que me foi dado
sentir as minhas dores diárias
e conviver com a minha condição humana.
Só me liberto, quando sou reescrita pela poesia!
domingo, 3 de julho de 2011
Espelhos d'água
Qual o símbolo gráfico de um suspiro? Não sei. Não há. Pergunto na esperança de registrar os suspiros dele pra mim. Uma noite inteira de olhares desejosos de aproximação. Despertou-se a curiosidade em saber do conteúdo daquele imã que atraía nosso calor, nossa vontade de ficar perto, nosso carinho. Qualquer instante a sós e a oportunidade de se beber intensificava a sede. Negação. Mentiu-se o desejo para evitar a necessidade.
A cena de amor que se desenhava, aconteceu em um buteco deliciosamente ornado de cerveja gelada, servindo conversa boa. Mesa rodeada de amigos apaixonados pela arte. Papo compartilhado por gente interessada na vida e em gente. Um violão sambava Cartola e as notas vinham pra mim. Meu espelho brilhava de contentamento. Felicidade é poder ter amigos de botequim. Eu os tinha naquele momento. Com exceção de João.
João não olhava os meus espelhos. Gesticulava, conversava com todos os amigos à mesa, fixava o olhar na minha boca. Mas, dos meus olhos fugia feito menino andando de bicicleta na contra-mão. João era professor - um comunicador nato, apaixonado pelas palavras. Pintava palavras no papel. Formava arco-íris com cores jamais vistas. Transformava uma vogal em sol. Depois cantarolava os sóis no jardim alheio. E todos floresciam.
Naquele dia ele não me olhava, mas ao me ver suspirava. Eu li. O suspiro escrevia: - Te quero! E eu lia. Um querer cheio de desejo que desligava o mundo pra acender o coração. Eu ria. Ria de sua adolescência despertada e de sua falta de jeito. Eu ria e derretia. Um a um, os amigos saíram de cena. Eu fiquei com meus espelhos d'água acenando pra você, jorrando rimas perfumadas. A partir daí, ficamos a sós para sair da solidão.
João não me olhou. Num abraço, juntou seu corpo ao meu tornando desnecessária qualquer declamação poética. Naquele momento, João se fez poema na minha boca e me fez fechar os olhos.
João não me olhou. Num abraço, juntou seu corpo ao meu tornando desnecessária qualquer declamação poética. Naquele momento, João se fez poema na minha boca e me fez fechar os olhos.
Assinar:
Postagens (Atom)









