quinta-feira, 14 de abril de 2011

Realengo: Luto, desconstrução e dor.





A professora de Língua Portuguesa que se deparou com o sujeito não pôde acreditar na oração que se impunha em plena aula: Homem invade sala de aula e atira em todos os alunos que seus tiros puderam alcançar.

A aula de gramática foi interrompida. Treze vidas foram abreviadas. O Brasil olhou para Realengo e chorou. Todas as escolas brasileiras se viram dentro daquela sala de aula ensanguentada. Aquela professora apavorada podia ser eu.

Saí da minha última aula do dia. Passos curtos, voz cansada, desgaste físico, dia normal. Chegando à sala dos professores desenhava-se uma cena de terror: Televisão ligada, professores atônitos diante de um triste pronunciamento do governador do Rio de Janeiro: "Esse foi um massacre escolar sem precedentes no Brasil."

Perdi a fome, fiquei muda, ainda mais cansada. Uma tristeza profunda tomou conta de cada célula do meu corpo. Saí sem me despedir. Fiquei fora de área. Aérea. Sem reação.

Cheguei em casa e o noticiário reafirmava:  Homem invade sala de aula carioca mata doze crianças e deixa doze feridos. Por quê? Por quê? Por quê? Cada batimento cardíaco pulsava o mesmo questionamento. Qual a história desse assassino? Como ele teve coragem de tirar a vida desses alunos?

A mídia indica várias possibilidades: Solidão, bullying, fanatismo, psicopatia. Como fazer o diagnóstico? As hipóteses são gritadas na imprensa, mas nunca obteremos uma explicação que seja, no mínimo, razoável.

Engulimos esse fato a seco. A força. Estamos entalados. A violência chegou na escola brasileira: aluno mata professor, professor bate em criança, assassino massacra alunos em plena aula, etc.

A escola não foi feita para isso. Violência é o oposto de Escola. A escola é a casa do conhecimento. É o lugar de descobertas, de autoconhecimento, de convivência. Como pode o aluno ir estudar e não voltar à casa? Como se explica o fato de um professor planejar a sua aula, ir trabalhar e ser executado pela intolerância?

Seguem mais perguntas silenciosas. Sem respostas.. Apenas ruído, choro, suspiro, dor de todos os professores, alunos e profissionais da educação que vivem na escola e a tem como único espaço em que se tem a chance de lutar pela transformação social.

Após 7 dias do massacre, ainda sinto-me dolorida. A escola brasileira está manchada de sangue. É preciso limpar o sangue da sala. É preciso lavar a alma. É preciso acreditar na evolução humana.

A partir de hoje, não vou ensinar apenas questões sobre o substantivo e o adjetivo. Vou ensinar a amar e a conviver com as diferenças. Vamos aprender a aprender, aprender a fazer, aprender a ser e APRENDER A CONVIVER!

Vai meu amor para todas as 12 crianças que foram brutalmente retiradas do nosso convívio. Um beijo de luz em cada coração...

Cristiane.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Estou morrendo...





Estou morrendo.
Não pertenço mais a essa vida
Não sinto dor já faz um tempo
Ausência de despedida...

Estou morrendo.
Passei pela porta de saída
Nem cansaço, nem partida
Pouco a pouco vou percebendo
Tenho tudo o que queria.

Nem choro, nem sofrimento.
De angústia despida
Pacificada em meu momento
Estou morrendo por dentro
Morrendo de alegria!!!!

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Flor do Sol





Toda semana meu quarto recebe um girassol vivo. Lindo. Amarelo. Sorridente. Meu olhar pra ele é de emoção pura, olhar saudoso por sua vida tão curta. Parece tão inconsciente de sua efemeridade. Ou talvez, sua curta vida seja ainda mais longa que a média humana. Como medir e comparar? Impossível. Não se pode comparar coisas tão diferentes. Tudo é vida manifesta de forma exclusiva. Cada manifestação vital é única. Nasce, cresce, se reproduz, envelhece e morre. O ciclo é semelhante. Nunca igual.

Meu Girassol parece feliz. Dorme e acorda sorrindo. Vibra quando me volto pra ele. Gargalha quando dou as costas. Quanta independência emocional. Não é sempre assim, ele precisa de água e luz para vivenciar seus poucos dias. Isso vem de mim. Se fujo à responsabilidade, ele morre mais rápido: fica sem ar, cada centímetro de seu caule fica ressequido, começa a murchar, as folhas começam a se contorcer, se transforma em um bebê velho. Sorriso amarelo de tristeza. Seus dias serão encurtados e isso ele não pôde escolher. A escolha é minha.

Eu escolho cuidar, ou deixar morrer. A escolha dele já foi feita: Sorrir. Ele sorri sempre. Com sede ou satisfeito. Recém-nascido ou envelhecendo. Querendo ficar, mas indo embora. Sorri, mesmo que não tenha ninguém por perto. Nasceu pra ser feliz. É. Simplesmente é. Simplesmente sabe. Simplesmente sente. Simplesmente vive. Porque viver feliz é sua missão, por isso, vibra tanta energia que ilumina a existência de quem tem o privilégio de compartilhar do mesmo espaço.

Minha paixão pelos girassóis aconteceu há dois anos. Quando olhei pra um e percebi sua rotina: Ser esplendoroso, alegre e encantador. Passar todas as horas do seu dia girando na direção do sol, do nascente ao poente, na tentativa de aproveitar cada segundo de luz, de alimento, de força. Rotina intensa. Identificação imediata. Aconteci junto com essa descoberta. De lá pra cá, observo a flor do sol como a mim mesma. Com o tempo, fui observando em torno do quê eu estava girando, qual era o sol que eu mesma tinha estabelecido pra mim. Essas observações trouxeram as respostas para os meus porquês. Eu, girassol humano, escolho o sol em torno do qual quero girar: Relacionamento, dinheiro, filho, beleza, problema, filosofia, status social, sofrimento, abundância ou escassez...

 Está tudo dentro de mim: A flor do sol e o próprio Sol.


terça-feira, 22 de março de 2011

Caça-palavras


Procurei palavra. Qualquer insana letra que me devolvesse a sanidade. Elas vieram como quem procura um canal com a mesma sintonia, silenciei meu coração pela impossibilidade de silenciar minha mente. Não há exigências, apenas necessidade de espaço para que as palavras se materializem. Quanto mais barulho, mais folhas brancas. O advento da escrita se configura na decisão de parar aquele momento da vida, respirar profundamente, esquecer das contas atrasadas. Simplesmente aceitar a ansiedade da espera, aquietar um pouco e sorrir satisfeito. Quem procura acha.

 Terça-feira de procura desesperada. Todas as palavras lindas, cheias de significado, de forma, de vida própria, de entrelinhas que alimentam a alma estavam sendo desejadas, invocadas pra existência. Estava com fome de construções sintáticas reflexivas, sentimentais, eróticas, espiritualizadas. Pouco importa. Meu propósito é  me escrever no papel do mundo. Alcançar a benção da simbiose alfabética, onde não haja diferença entre meus átomos e minhas letras. Minhas. 

Elas vieram ao meu encontro. Encontro é para dois. Um tem de vir no rastro da sintonia do outro e se jogar. Acontece assim. Pensamento, desejo, decisão. Encantada. Me sinto enfeitiçada de amor. As palavras se jogaram em minha direção. Senti o perfume, a textura, o gosto. As reconheci imediatamente, identifiquei as suas formas, como dançavam sensualmente para mim! Como eram felizes na brincadeira da vida! Se faziam em versos, se juntavam em estrofes, transpiravam musicalidade. Sonhavam meu sonho. Pintavam minhas cores. Se apaixonavam por meus amores. Cumplicidade igual eu nunca vi.


Finalmente, sem nenhum ponto final - livre de qualquer conclusão - materializo o girassol de átomos e palavras que se fez nascer em amor. Com prazer. Terça geradora de ser. Produto inacabado, incompleto, que sonha em evoluir o modo como percorre o seu trajeto.  Retira o seu foco do ponto de chegada. Cai sempre que olha pro lado e recomeça  no impulso mesmo da queda. Achei mais um pedaço. Agora posso continuar a construção.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Faxina















Vamos limpar a casa
Toda sujeira da vida
Varrer o pó do piso
Abrir caminho para uma nova energia...

Vamos desobstruir os espaços
Tirar toda poluição visual
Limpar do peito o cansaço
Recolher as cinzas do que foi prejudicial

Vamos retirar os cacos de vidro do chão
Clarear todas as paredes
Mudar as cores e os enfeites
Parar de seguir pela contra-mão
Por entendimento, vontade, ação...

Vamos fazer jorrar água em todos os ambientes
Regar a alma sedenta
de água, de luz, de fantasia
Vamos fazer festa todo dia
Vamos encher a casa com poesia....

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

kinshasa

Do outro lado do oceano
Eu tenho amor
Fé, carinho, encanto
Derramamento, calor...
A distância não distancia
Dois seres enamorados
Dois corpos que se procuram
Órfãos apaixonados...
Pelos sonhos conectados
Os Quilômetros que se encurtam
De tanta vontade
Necessidade de ficar lado a lado...

Me completo em outro continente
Lá, onde está o amor
Extensão da minha pele, da minha mente
Que anseia daqui, desse pedaço do ocidente
Por seus olhos, seus lábios
Por seu cheiro, por sua cor...

Meu peito apertado
Espera por se entregar
Ao descanso dos teus braços
Lugar que escolhi para me hospedar
Kinshasa cuide de sua terra
Ame seu filho adotivo em missão
Daqui do meu Recanto eu rezo
Para que em paz devolva ao meu chão
Aquele que levou meu coração...

Traz de volta para o lar verde e amarelo
Aquele que ama o meu sorriso
Que chora o meu choro
O que faz raiar o sol em dia nublado
O que segura a minha mão com consolo
Aquele que enche meu coração de gozo
e me quer sobre todas as coisas:
Amada. Inteira. Livre. Pacificada.
Te espero amor para te oferecer repouso
O cuidado, o carinho, o afeto
Daquela que escolhe diariamente
Te ter por perto!

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O vôo


          
         Voar sempre foi meu forte. Quando era criança vivia voando, percorrendo caminhos imaginários, mágicos, irreais. Pensava em como seria quando já estivesse crescida, independente, com meu carro vermelho, minha casa grande, e claro, casada com um louro alto, de olhos verdes e corpo atlético. Quem sabe até teria filhos, eu queria dois: um menino e uma menina. Também sonhava com o mundo, com as belezas naturais, com as garotas elegantes das novelas (nas quais eu me inspirava), e com tudo o que eu poderia ser um dia.

Dos sonhos noturnos já nem lembro mais, mas os sonhos que tive acordada cresceram comigo e fazem parte de mim. Uns sonhos mudaram, alguns concretizei, outros perdi no caminho e alguns outros aguardam o momento certo em que serão, enfim, realizados. Quando brincava de boneca, de casinha, ou quando jogava queimada ou bandeirinha na rua de casa não podia imaginar que voaria a 11 mil metros do chão, numa velocidade de 800 km/h. Não, isso eu não podia imaginar. Estar nessa altura, entre as nuvens, sobrevoando o Brasil nessa proporção (altura x velocidade) assusta-me e encanta-me de maneira especial. É incrível como a tecnologia encurtou a distância territorial e permitiu que fizéssemos esse tipo de vôo, diferente dos que fiz na infância, porém, não menos especial: é uma viagem.

Na infância, viajamos o mundo sem ao menos sair do lugar. Também viajamos de férias para um lugar, conhecido ou não, onde nos sentimos na obrigação de nos divertirmos, pois sabemos que tem hora e dia marcado para terminar. Mas há uma viagem mais importante: a vida.

Quando nascemos, embarcamos nesse vôo constante (o mundo), ao lado de outros tripulantes (a humanidade), com um destino não muito certo ( a felicidade) e com um detalhe essencial: a passagem de volta está comprada, com hora e data certa para o desembarque (morte). Porém, não sabemos qual é exatamente esse dia e essa hora. Nessa viagem, é preciso aproveitar cada segundo desse vôo, pois, diferente dos vôos da infância, ele não é imaginário e diferente do vôo das férias não sabemos a que horas iremos desembarcar.
Boa viagem!                                                                           
Cristiane Oliveira
Julho de 2008
(em vôo Porto Seguro-Brasília pela TAM)

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Elucubração...

















Não fui avisada
de que sou apenas parte
tão distorcida e tão fragmentada
com pedaços de tristeza e solidão...
Descobri no susto
que a felicidade é um conceito da televisão
que a morte existe e vem pra todo mundo
que os momentos vividos hoje, não mais voltarão...
Ninguém me avisou
do perigo de viver olhando pra fora
do risco de viver buscando conforto no outro
da armadilha que é não cuidar de si mesmo
de que ser feliz é poder contemplar o pôr-do-sol.
Ah.. se eu soubesse
Teria estudado a arte de ser mulher
ao invés de querer assumir a castradora independência, masculinizada.
Teria cuidado do meu corpo e da minha sensualidade vital
ao invés de sacrificá-lo e desgastá-lo com comida e sedentarismo
Teria perdoado mais
ao invés de me corroer com a sujeira do orgulho...
Teria visto mais pores do sol
Teria amado mais
Teria convivido mais com a minha família
Teria vivenciado mais o potencial sexual da vida
Teria amado mais os meus amigos
Teria agradecido mais pelas bençãos do universo, que eu não via
Teria doado amor e atenção a quem precisa de ajuda
Sem medo, sem culpa, sem obssessão
Apenas viveria aquele momento, aquele dia
Sem ter de ocupar a maior parte do tempo com o trabalho
e usar a desculpa preferida da covardia..
Ah.. se eu soubesse.... teria buscado a harmonia
ao invés de dinheiro e realização material
Mas só aprendi no susto, no grito
na dor, no gemido...
Que esse aprendizado é infinito
enquanto durar o meu caminho de evolução...
Cada um escolhe
se descobrir, se aceitar, se amar, se cuidar, ou não...
Cada um escolhe
descobrir, aceitar, amar e cuidar do outro, ou não...
Cada um escolhe
a vida ou a elucubração.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Não te amo, meu amor!

Não te amo, meu amor...
Sinto seu cheiro
Busco seus olhos
Compartilho dos seus sonhos
Meu amor...
Nem quero imaginar
A possibilidade de te amar
Deus me livre de te querer
Ai de mim se eu te beijar

Não, meu amor
Não quero morrer de amar
Quero acordar na sua cama
Enxugar a sua lágrima
Quero beber da sua água
Sua fome alimentar...

Mas não venha me falar de amor
Isso eu não iria suportar
Quero misturar a nossa pele
Nossos sonhos, sonhar...

Mas saiba, meu amor, que eu não te amo
E nem sei se vou te amar
Quero sim estar a seu lado agora
Tomar sorvete, atravessar a rua
Sem o medo carregar

Quero te ter...
E quando você se afastar de mim
Meu amor
Eu vou lembrar que você pode ir
Eu ficarei aqui de você protegida
Pelo meu medo de te amar...

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Retrato antigo



Sinto falta do homem que criei
Daquele que protagonizava meus sonhos
Que amava meus defeitos e minhas manias
O porto seguro da minha vida.

Tenho saudade do pai dos meus filhos
De compartilhar o dia a dia
De ser amada, de ser surpreendida
com uma vontade viva
de me fazer a mais feliz das mulheres.

Saudade do retrato antigo
do meu melhor amante,
do meu melhor amigo,
de quem sempre fará morada
em meu coração ferido...

Saudade da lembrança real 
dos sonhos que eu tive.
Agora... acordada
Reconheço que o tempo do meu sonho
Foi produto da minha fantasia
Projeção de uma vontade antiga:
Transformar romance em poesia...

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Porta Aberta


Abri a porta da minha casa
De pé eu estava
De frente para o mundo
Com o coração na mão
Nenhuma grade de proteção
Apenas meu corpo exposto
em contemplação...

As janelas todas abertas
escancaravam minha decisão
Queria arejar o ambiente
Trocar o ar, varrer o chão...
Para isso precisava do vento
do sopro, do uivo, da circulação...

Inspiração. Expiração.
Batimentos cardíacos
desejosos de oscilação...
Fechei os olhos
Tirei as sandálias
à minha alma dediquei toda atenção...

Abri a porta da minha vida
pro universo entrar...
E assim, tirar a tristeza escondida
Devolver a alegria de sonhar...
Quem está com a porta aberta
pode acreditar no amor,
na capacidade de se sintonizar
Pode crer numa alma
Que deseja à outra se conectar...
É tempo de abrir a porta... 
pra amar!

domingo, 23 de janeiro de 2011

Presente


Quando eu olhei pra dentro de mim
Vi que nunca estive sozinha....
Só estava procurando companhia no lugar errado...
Esse é o tipo de coisa que não se observa por opção
A vida te obriga a olhar pra si mesmo
Até descobrir o Deus que mora em seu coração...

Quando você descobre que Deus sempre esteve em você
É como ganhar um presente...
Você começa a entender
Que o Universo sempre nos dá o melhor
E que o grande objetivo da dor, da morte, do sofrimento
É o encontro com a sua felicidade...
A sua, porque cada ser assume de forma diferente a própria verdade
o que gera para cada um um caminho de felicidade diferente...

Quando se vive o presente
Uma gratidão profunda ganha espaço
E você vai se tornando cada vez menos ausente no palco da sua vida...
A essa altura já sabe qual é a própria música
Já conhece a palavra do teu inconsciente
Aprecia a cor da sua alma
Se permite viver plenamente...

Meu coração está pulsando agradecimento
Estou fincada no meu presente
Decidi agarrá-lo com toda a minha força
Não vou abrir mão de nenhum segundo...
Sou abençoada.
Sou mulher, sou mãe, sou filha
Sou parceira, sou apaixonada
Sou viva, sou pecadora
Sou divina, sou humana
Sou saudosa, sou egoísta
Sou frágil, também sou guarida
Sou sonhadora, sou poetisa...


terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Silêncio


Será mesmo que o silêncio é a ausência de som?
Duvido...
Alguns silêncios são mais ensurdecedores que um trio elétrico dentro do ouvido...
Basta se dispor a meditar
que a mente logo começa a barulhar
numa overdose de pensamentos cruéis e muitas vezes insanos...
Como é difícil silenciar!

Ausência de fala não é silêncio
Há muitas outras formas de comunicar
Outras tantas de refletir
Diversos jeitos de falar...
Inúmeros são os pensamentos
que nos tornam tagarelas mudos:
Tarefas a cumprir
Sonhos a realizar
Atividades que ficaram para trás
Metas de segunda-feira.

Não... isso não é silêncio...
De nada adianta silenciar tudo o que se tem em volta
Se o coração se inquieta, se aflige e se apavora:
Status, dinheiro, sobrevivência, amores, amanhã, medo,
doença, frio, calor, falta de alimento, sobrepeso, solidão...
O que é capaz de calar esses pedidos constantes?
Como acessar a paz de alma?
Esses questionamentos são, no mínimo, buscas interessantes...
É preciso refletir, é necessário questionar!

O verdadeiro silêncio está na alma
Não emite palavras, mas transborda de paz...
Não cobra ações, apenas agradece...
Não exige posturas, aceita o comportamento...
Não critica, simplesmente perdoa...
Não busca nada no mundo afora, pois está ciente de sua fonte de felicidade interna...
Silêncio que se sabe pertencente ao divino
e por isso mesmo é consciente de sua responsabilidade com o humano...
Silêncio que bate a nossa porta todos os dias
Mas precisa ser convidado a entrar...


quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

À Catalina...


Colombiana de natureza
Apaixonadamente
Traduziu o que é ser brasileira
Alegria e descontração
Levou a todos contentamento e diversão
Inspira quem está por perto
Navega no mundo das águas vitais
Ama, vive, sorri e chora...

Segue sambando e não olha para trás.


quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Prece


Quero me abandonar
Descansar de mim mesma
Ás vezes sou pesada como um elefante
Absorvo todo o medo do minuto seguinte
Recebo a visita ilustre de minha amiga inseparável:
A ansiedade...
Batendo junto com meu coração
Martelando minha cabeça
Ofegando a minha respiração
Despertando o meu sono...

Essa talvez seja a minha parte mais humana
a parte em que percebo que preciso do outro
o momento em que me esvazio da auto-suficiência
do estado do "eu posso, eu consigo me virar sozinha"
Me visto com roupas brancas
Tiro os sapatos
Tiro o orgulho
Tiro a maquiagem
E, em prece, me recordo que faço parte de um todo...

Se eu choro, o mundo chora
Se estou feliz, o mundo fica ainda mais feliz
Minha vibração tem posição definida no pulsar da Grande Mãe
Meu pensamento compõe a música planetária
Minhas ações geram um sentimento global
Sou indivíduo porque pertenço ao coletivo divino...

À medida em que amo o Deus em mim
Começo a sarar as feridas de outrora...
Ao fechar os olhos e colocar um leve sorriso de gratidão nos lábios
Me conecto com minha alma, e assim, me encontro com o outro em mim...
Quando paro de olhar para trás e para frente
Vivo a dádiva do divino, como quando se toma posse de um presente...
Enxergo cores cada vez mais intensas e alegres...
Danço a música sagrada da vida!

Depois de me abandonar nos braços divinos
Posso andar de mãos dadas com o meu irmão
Na certeza de que estamos
Vivenciando a mesma luta
Cantando a mesma música
Realizando a mesma prece
Vivenciando a mesma tentativa de ser pessoas melhores
Quando eu paro para escutar a dor do outro
é o meu processo de cura que se inicia...

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

24 horas


Quanto tempo é preciso
para com uma pessoa se encantar?
Quanto tempo é necessário
entre um abraço e o primeiro olhar?
Quanto tempo será suficiente
para se conhecer e se entregar?

Não há respostas.
A roda viva da vida
gira num tempo próprio
Te surpreende, te incita
Te aflige, te impacienta
Te acalma, te nina
Imprevisivelmente...

O encantamento pode florescer
O abraço pode se tornar cada vez mais aconchegante...
Ou você pode perceber
que tudo mudou num instante:
Esse alguém será mais um viajante
que por alguns quilômetros
quis a seu lado a estrada percorrer
Mas que escolheu seguir adiante
por outras trilhas seguir
outras histórias viver...

Ou ainda
poderá se tornar o parceiro de viagem
O amor da sua vida
O amor das tardes ou das madrugadas
O apoio nas horas sofridas
Alguém com quem poderá,
quem sabe, construir uma família.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Eu, você e uma noite de verão...


Eu gostei de você
de como me beijou
e da forma como dançamos
Adorei passar horas sorrindo pra você
e como foi engraçado
me divertir até com sua respiração...
Trocamos palavras e pensamentos
dois geminianos
igualmente desiguais
olhando um pro outro sem ar

Achei que aquela noite não fosse terminar
Dançamos a primeira vez
e não conseguíamos mais parar...
só existia o agora
Tiramos do vocabulário o talvez
Vivemos o instante
Em que o nosso abraço refez
o trajeto pra infância...

Um tempo em que ser feliz era algo constante
e rir era absolutamente cotidiano e natural
Nos transportamos inteligentemente
com a perspicácia de dois comunicadores
com a agilidade de duas águias
com a inocência de duas crianças
com a paixão de duas almas...

No outro dia, a noite foi embora
e eu descobri
que o encontro só aconteceu na minha cabeça
senti que estava em outro agora
mas sem a sua presença
Mas não importa
Tive o melhor de você...
O que foi voluntário
O derramar de uma vontade
Que embora não tenha continuado
Encheu o copo, derramou e transbordou
por uma noite...
"Que seja eterno enquanto dure"!



segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Meu mantra


Grande Shiva
que renova todas as coisas...
Quero reaprender a ser parte da natureza
Quero descobrir o meu som:
O som divino em mim.
Renovação
Força
paz
Contentamento
Energia.

Passagem


Deixar o rio passar
Não reter a sua água
Abrir os canais
para se libertar
da sujeira adquirida
de quando se tenta a água parar...

Liberar a passagem do rio da vida
Viver o dia, no presente
Agradecer pela água que foi vivida
Manter o espírito contente...
Fortalecer as raízes com a terra
Ser parte da lua, do sol, do ar
é ter energia para seguir em frente
É estar em harmonia para amar...

Você vai se descobrir
Quando o rio puder passar
que ao deixar a água fluir
Vai poder enfim se liberar
do que ficou no passado
e não pode mais voltar...
É chegado o grande momento
De deixar o rio levar
o que já foi vivido
Para num único movimento
Um novo ciclo iniciar!

Bem vindo 2011!

Despedida




Enquanto o vagabundo sagrado se despedia,
Eu olhava....
Um último olhar
praquele santuário
que me fez despertar
Ir para o outro lado
Sorrir, viver, chorar...

Quero aqui me despir
Me desnudar
Me despedir
Me abandonar em 2010
e em 2011 me reiventar
Quero novas coisas sonhar
Denovo me iludir
E Mais uma vez amar...

Que venha a temporada 2011 no Clube do Choro de Brasília, minha segunda casa!